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Archive for the ‘sentimentos’ Category

Lamentar uma dor passada, no presente,
é criar outra dor e sofrer novamente.

William Shakespeare


Costumo dizer que não se apaga uma pessoa de nossas vidas. Ela pode ter ido embora, ou podem ter brigado, pode odiar, ou até não sentir absolutamente nada, apenas indiferença. Mas não se apaga alguém. As pessoas passam e deixam marcas. Essas marcas formam o que somos. Assim, não vejo como seja possível apagar alguém. Pode-se, sim, até esquecer, mas nunca apagar uma história.Mas concordo também com Sheakespeare, pois esquecendo ou não, e fingindo ou não ter marcas, não vale a pena sofrer novamente por algo que já se sofreu uma vez. Por mais que se queira reviver algo, ou mudar algo que passou, não se volta no passado. E não se deve viver novamente o passado.Doeu? Muy bien, chore bastante, grite, xingue. Mas faça isso para não precisar mais fazer. Depois, enxugue as lágrimas, lave o rosto, coloque um óculos de sol , levante a cabeça e caminhe.Viva!

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O contrário do Amor

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

Martha Medeiros

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…olhou em torno de si, rodeada pelas jaulas,
enjaulada pelas jaulas fechadas….desviou os olhos, doente, doente (…)
sem conseguir encontrar dentro de si o ponto pior
de sua doença, o ponto mais doente, o ponto de ódio,
ela que fora ao Jardim Zoológico para adoecer.E, enquanto fugia, disse: “Deus, me ensine somente a odiar”.
“Eu te odeio”, disse ela para um homem cujo crime único era
o de não amá-la. “Eu te odeio”, disse muito apressada.
Mas não sabia sequer como se fazia.

Mas onde, (…) onde aprender a odiar para não morrer de amor?

Eu te amo, disse ela então com ódio para o homem
cujo grande crime impunível era o de não querê-la.
Eu te odeio, disse implorando amor ao búfalo.

– Clarice Lispector in “O Búfalo”

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Para estar junto não é preciso estar perto, e sim do lado de dentro.

Leonardo da Vinci

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Amar: Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer…
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei…

O amor é quando a gente mora um no outro.

Mário Quintana

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